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Cloud computing: dúvidas ainda sem resposta

O texto foi publicado pelo site cio.uol.com.br em 04 de agosto de 2009

             Assim como muitos CIOs, eu acredito que existe uma série de questões que ainda precisam ser respondidas em relação ao cloud computing (computação em nuvem). As dúvidas básicas são quanto à segurança, privacidade e portabilidade dos dados. Além disso, quando as informações críticas das companhias estão nas mãos de outras pessoas, isso também reflete em menos garantia do cumprimento das leis.
            Manter dados armazenados remotamente pode oferecer menos proteção, mas desde que as comunicações não sejam sempre criptografadas. Nós sabemos bem como resolver isso: os provedores que fornecem serviços remotos devem prover essa segurança. Isso pode ser particularmente importante em situações como a de clientes localizados em países com regime autoritário.
            Por que facilitar a vida dos governantes iranianos ao permitir que eles investiguem a vida da população por meio das nuvens? Além disso, sem a criptografia, qualquer erro dos usuários pode ser um risco quando falamos em ambientes, nos quais tudo é online e permitem a alguém mal intencionado que roube uma senha de acesso ao banco, por exemplo. Já no caso da portabilidade de dados, quando as informações estão alocadas em uma das principais plataformas online acredito que é mais difícil transferi-las para um novo provedor, caso o cliente não esteja satisfeito.

Polêmica nas nuvens
            Alguns consultores defendem que o usuário precisa ser responsabilizado pelas questões de segurança. Mas isso é como dizer que temos a culpa por derrapar na estrada em um dia de chuva e sofrer um grave acidente por conta de o fabricante do veículo ter se esquecido de colocar os cintos de segurança no automóvel e de ter instalado um pneu totalmente errado no carro. Eu até concordo que as pessoas deveriam adotar melhores práticas em relação a senhas, mas sabemos que a maioria não tem. Isso, aliás, é o que torna tão importante criar mecanismos para proteger os dados na nuvem.
            Mas eu tenho uma dúvida mais importante quando falo de cloud computing: a liberdade para controlar regras. Ao longo das últimas décadas, os usuários de PC puderam escolher o que queriam, ou não, que rodasse em suas máquinas. Mas quando esse controle está nas mãos de um provedor externo, isso pode não só fechar um leque de inovações como também abrir espaço para legislações voltadas a controlar ou monitorar conteúdos online. Um exemplo disso foi o fato da Amazon ter apagado, de forma remota, todo o conteúdo do escritor George Orwell que estava instalado nos equipamentos Kindle – leitor de livros eletrônicos da loja online Amazon – dos seus clientes.
            Ninguém deseja que o relógio volte no tempo para que possamos continuar a viver na era dos PCs. Quando digo que ainda tenho dúvidas em relação ao conceito de cloud computing, meu objetivo é levantar questões que ainda precisam ser respondidas para que os projetos não criem problemas, já que isso vai afetar diretamente a vida das pessoas.
            Eu não quero crucificar os provedores de serviços em nuvem ou os consultores que defendem o cloud computing. Só acho que eles precisam reduzir um pouco o entusiasmo em relação a esse tipo de tecnologia. Entre as questões que deveríamos nos preocupar, acredito que a principal delas deve ser lidar com o fim de ambientes de TI controlados.

Jonathan Zittrain é professor de direito em Harvard

Publicado em 11/01/2010

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