Empresas de TI miram o Exterior
BNDES projeta que ano será de intensas fusões e aquisições no ramo de tecnologia da informação
Diante do crescimento do mercado de software e serviços de tecnologia da informação (TI) no Brasil, que passou pela crise com crescimento estimado em 30% em 2009, as empresas líderes do segmento, como Totvs e Tiviti, miram o mercado internacional e se preparam para intensificar o movimento de consolidação num setor ainda muito pulverizado. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), 8,5 mil companhias atuam no ramo, mas 90% delas são micro e pequenas.
Para o chefe do Departamento de Indústria Eletrônica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maurício Neves, 2010 será um ano de muitas operações de aquisição e fusão no segmento. O orçamento original de R$ 1 bilhão do Prosoft, programa do BNDES com linhas de financiamento para o setor, estorou em 2009, e foi aumentado para R$ 5 bilhões até 2012, diante do aumento dos pedidos de empréstimo das empresas. A carteira já chega a R$ 2,8 bilhões.
O Prosoft existe há 10 anos, mas só nos últimos cinco intensificou o apoio à consolidação do setor, inclusive adquirindo participações acionárias de negócios com potencial de crescimento ou resultante de uniões. Temos apoiado uma série de operações, muitas de empresas que não são abertas e, por isso, não são conhecidas no mercado. Em 2009, houve muita consolidação entre empresas de médio porte, o que deve continuar este ano, avalia Neves.
A Totvs, maior empresa de software do país, realizou 13 operações de aquisição em 2009 e já é a oitava do mundo, com subsidiárias na Argentina, México e Portugal. Nos noves primeiros meses de 2009, teve um crescimento de quase 20% na receita. Os alvos preferidos da Tovts, da qual a BNDESpar tem 6% de participação, são fornecedores de áreas que possam agregar ao seu portfólio, que hoje vai de soluções para o setor financeiro ao de saúde ou agrícola.
Fornecedora de nove dos 10 maiores bancos do Brasil, a Tiviti tem apenas 2% do seu faturamento vindo de exportações. A empresa é liderada pelo ex-tenista Luiz Mattar, que mantém o espírito competitivo na companhia em 2009, abriu capital e já atingiu faturamento de R$ 1 bilhão em 12 meses. A Tiviti sofreu no começo de 2009 com a suspensão de alguns contratos, mas conseguiu retomar o fôlego diante da recuperação da economia e já planeja novos investimentos. Acabou de obter R$ 150 milhões do BNDES.